MUNICÍPIO DE SANTA MARIA – MAMÍFEROS E RÉPTEIS NO PASSADO DO RS

    Nos arredores da cidade de Santa Maria ocorrem os melhores registros paleontológicos do Rio Grande do Sul, reconhecidos à nível mundial. As rochas que afloram na região foram depositadas durante o período triássico, quando todos os continentes estavam unidos em uma grande massa de terra chamada Pangéia (Figura 1). A junção desses continentes fez com que existisse uma livre circulação de animas entre eles, ocasionando a grande dispersão desses grupos pela superfície da Terra.
Leitura Recomendada

ALONSO-ZARZA, A.M. 2003. Palaeoenvironmental significance of palustrine carbonates and calcretes in the geological record. Earth Science Reviews, 60:261-298.

DA ROSA, A.A.S. 2004. Sítios fossilíferos de Santa Maria, RS, Brasil. Ciência e Natura, UFSM, 26(2):75-90.

FACCINI, U.F. 2000. Estratigrafia do Permo-Triássico do Rio Grande do Sul: Estilos Deposicionais versus Espaço de Acomodação. Tese de Doutorado, 297 p., Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

FONSECA, M.M. e SCHERER, C.M.S. 1998. The Meso and Late Triassic of south Brazilian Gondwanaland: a process oriented analysis of the fluvial deposits. In: Epicontinental Triassic International Symposium, 1, Abstracts, Alemanha, p. 51-52.

RUBERT, R.R. e SCHULTZ, L.C. 2004. Um Novo Horizonte de Correlação para o Triássico Superior do Rio Grande do Sul. Pesquisas em Geociências, 31(1):71-88.

ZERFASS, H.; LAVINA, E.L.; SCHULTZ, C.L.; GARCIA, A.J.V. ; FACCINI, U.F.; CHEMALE Jr., F. 2003. Sequence stratigraphy of continental Triassic strata of Southernmost Brazil : a contribution to Southwestrn Gondwana palaeogeography and plaeoclimate. Sedimentary Geology, 161:85-105.
    Estudos geológicos no local revelam a presença de pelitos de cor vermelha (Figura 2 e 3), que podem ser rochas indicativas de um ambiente lagunar. Ocorrem, ainda, nódulos e concreções carbonáticas (Figura 4) que remetem a um nível freático próximo da superfície, e oscilações mais ou menos rápidas do nível da água, formando condições favoráveis para a carbonatação e outras alterações, na medida em que permitiram a mobilidade física e química dos materiais.
    Existem algumas incertezas sobre o ambiente em que essas rochas foram formadas. Enquanto alguns cientistas caracterizam o local como sendo formado por rios meandrantes e suas respectivas planícies de inundação, outros o interpretam como um sistema de planícies de inundação com extensos, porém temporários, corpos d’água rasos (Figura 5).
    O registro paleontológico do local (Figura 6) compreende vertebrados como os Rincossauros (Figura 7), que eram animais quadrúpedes e herbívoros. Esses animais conviveram com os dinossauros e provavelmente serviram como alimento para os mesmos. O nome da espécie vem do formato de seu bico (similar ao bico de uma ave).

    Há ainda a ocorrência de Cinodontes (cynos=cão; odontos=dentes) que eram animais carnívoros e ancestrais dos mamíferos. Possuíam tamanho de cerca de 1 metro de comprimento por 50 cm de altura. 
    A paisagem nessa região de Santa Maria para a época Triássica era muito diferente da atual, com grandes corpos lagunares e rios meandrantes cortando um ambiente árido (Figura 8). O clima era muito mais quente e úmido que os tempos atuais, já que os continentes estavam todos reunidos em uma mesma massa de terra, dificultando a circulação de massas de ar vindas do oceano para dentro desse imenso continente.